A Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) empenhou R$ 577.999,56 para bancar café da manhã aos deputados estaduais, após licitação marcada por questionamentos a respeito do valor e exigências de alto padrão feitas pelo Legislativo.
Apesar de não haver qualquer documentação de homologação ou contrato no arquivo oficial da licitação, dados do Portal da Transparência da Alems mostram que o empenho foi feito em junho.
Os primeiros pagamentos foram realizados já nos meses de agosto e setembro. Até o momento, foi efetivamente pago à Padaria Pão da Vida – Panificadora e Confeitaria Yahweh LTDA (CNPJ 46.666.188/0001-02) o total de R$ 96.333,26.
Logo, por mês, em média, foram pagos R$ 48.166,63. Dessa forma, considerando os dias úteis, o café da manhã dos parlamentares custou R$ 2.408,33 por dia.
A reportagem entrou em contato com a panificadora, e um funcionário forneceu um número para falar diretamente com o proprietário. No entanto, ao tomar conhecimento de que o assunto era o contrato com a Alems, a empresa não deu mais retorno e deixou de atender as ligações. O espaço segue aberto para posicionamento.

Café gourmet
No início de junho, a Alems lançou a licitação, prevendo gastar até R$ 618 mil com um banquete exclusivo para os deputados estaduais de Mato Grosso do Sul.
Na época, alguns deputados ouvidos pelo Jornal Midiamax afirmaram desconhecer o café da manhã.
Conforme o edital da licitação, o café contempla um cardápio refinado, que inclui frutas exóticas, sobremesas gourmet, frios e pratos quentes de coquetelaria.
A Alems exigiu, ainda, que a vencedora da licitação também ficasse responsável por fornecer todos os talheres e itens para servir o generoso buffet, e com um detalhe exigido no edital: “Todos os materiais devem ser de 1ª qualidade”.
A justificativa da Alems apresentada no edital é de que “a contratação é adequada e necessária para atender à demanda institucional, garantindo condições de trabalho dignas aos deputados estaduais. A solução escolhida é tecnicamente viável, economicamente vantajosa e alinhada ao interesse público, observando os princípios da eficiência, economicidade e sustentabilidade previstos na Lei nº 14.133/2021”.
O edital exige que o banquete seja servido de segunda a sexta-feira, às 7h, “sem atrasos”.
Um dia após a sessão de licitação, realizada no dia 16 de junho, Gerson Claro foi abordado por jornalistas na Alems e se recusou a falar sobre a repercussão negativa do café da manhã: “Quem cuida da licitação é a equipe técnica. Hoje à noite vai ter café da manhã. Não é exclusivo [para deputados]. Não vou ficar explicando isso pra vocês”.
Confira alguns itens exigidos pela Alems:
- Frutas fatiadas: pitaya, kiwi, mamão, melão, melancia e manga; e frutas inteiras: como morango, amora, ameixa e pêssego;
- Pratos quentes: canapé de cream cheese com bacon, escondidinho de carne seca e quiches, que incluem sabores de salaminho italiano;
- Frios: mesa farta de copa, salame, lombo, peito de peru, quatro tipos de queijo, geleia, requeijão de corte e coalhada;
- Sobremesas: pavê, pudim, bolo de maçã com castanhas, nozes e damasco, cuca de goiabada, além de minifatias húngaras, minicroissants de chocolate ou doce de leite e carolina;
- Acompanhamento: mix de castanhas como castanha-do-pará, castanha-de-caju e nozes;
- Bebidas: iogurte grego (integral e light) com sabores variados, água saborizada, sucos naturais e chás importados, como lima, framboesa e mel e baunilha;
- Salgadinhos diversos, além de pão de metro de peito de peru, presunto e queijo e salaminho, três vezes por semana.
Repercussão negativa
Com a repercussão da licitação, na época, muitas pessoas se revoltaram com o alto valor de verba pública utilizado para o banquete, classificando a despesa como desnecessária diante dos problemas enfrentados diariamente pela população.
“Eu acho que eles brincam com a cara da população”, disparou a aposentada Marta Inácio dos Santos, de 55 anos. Já Karen Giovanni, de 24 anos, criticou o valor previsto para o café da manhã dos deputados: “Eu acho um absurdo”.
Nas redes sociais, contribuintes rechaçaram a proposta de compra e sugeriram aos parlamentares que a refeição seja paga com o próprio salário, atualmente fixado em R$ 48.200,46, além das indenizações por custo de gabinete, que chegam a R$ 64 mil individualmente.
“É um absurdo, uma farra com o dinheiro público. É estacionamento, é lanche, o que está por vir ainda?”, questionou a leitora. “O problema não é o café da manhã, a questão é o valor desse café”, pontuou outra leitora.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






