O Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul) informou que aguarda mais informações para uma análise técnica sobre a obra que desabou na Avenida Rachel de Queiroz, no bairro Aero Rancho, na tarde desta sexta-feira (4). Duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas.
Uma equipe de fiscalização do Crea-MS esteve no local, na tarde desta sexta-feira, e verificou que a obra era executada por empresa de engenharia registrada no Crea, com responsável técnico e o registro da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) de projeto e execução.
“O Crea aguarda mais informações que foram solicitadas ao proprietário, referentes aos planos de segurança do trabalho, laudos de inspeção dos equipamentos de içamento de cargas, além dos projetos complementares da obra”, informa a nota do conselho.
O MPT-MS (Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul) abriu um inquérito civil para investigar as condições trabalhistas na obra. O Crea-MS informou que uma equipe de fiscalização continua em campo para reunir dados complementares para a conclusão do relatório final.
O documento pode subsidiar a condução do trabalho de demais instituições envolvidas na apuração das responsabilidades.
“Após o levantamento em campo, as informações e dados coletados pela fiscalização serão encaminhados aos conselheiros da Câmara Especializada de Engenharia Civil do Crea-MS para análise técnica. Caso sejam constatadas irregularidades ou indícios de imperícia, imprudência ou negligência por parte dos profissionais envolvidos, o caso será remetido à Comissão de Ética do Conselho para apuração de eventuais infrações ao Código de Ética Profissional, e também enviado a autoridade policial para subsidiar investigações”, continua a nota.
Fases da obra
O conselho informou que obras deste tamanho, que incluem a execução e montagem de estruturas de concreto pré-moldado e metálicas, exigem projetos de engenharia que antecedam e orientem a execução, incluindo, entre outros, o projeto estrutural.
Câmeras de segurança mostram o momento em que a estrutura desaba no canteiro de obras. Apenas pilastras laterais continuam em pé. Imagens feitas no local após o desastre capturam um caminhão esmagado pela estrutura que veio ao chão.
O Crea-MS informou que o trabalho visa investigar em qual fase se encontrava a obra, quais atividades estavam sendo executadas no momento do colapso e se contava com os devidos responsáveis técnicos habilitados pelo Crea-MS.
“A responsabilidade técnica deverá abranger as etapas pertinentes à elaboração dos projetos, à execução e montagem das estruturas, aos estudos necessários, inclusive quanto às ações dos ventos, bem como aos projetos e medidas relacionados à segurança do trabalho. Cada uma dessas atividades exige, obrigatoriamente, o registro da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento que define, para os efeitos legais, os profissionais e empresas responsáveis pelos serviços executados”, informou o Crea-MS.
Área foi isolada
Dois trabalhadores, que não tiveram a identidade revelada, morreram durante o desabamento da estrutura do supermercado que estava em construção na tarde desta sexta-feira (4), na Avenida Rachel de Queiroz, no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. Outros dois foram socorridos com vida.
Ainda não foi informado o que pode ter provocado o desabamento; no entanto, o cenário é considerado assustador — inclusive, o restante da estrutura que permaneceu íntegra corre o risco de ceder.
“Entramos com todo cuidado, deixamos a estrutura o mais breve possível, fizemos um resgate bem rápido para tirar eles da estrutura e a gente sair do local de forma segura. A área vai ser totalmente isolada. Mas há risco, sim, de novos desabamentos”, afirmou o tenente-médico do Corpo de Bombeiros, André Luiz Jacques.
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