A Operação Gutenberg, deflagrada na terça-feira (7) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), investiga contratos suspeitos entre a Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46) e prefeituras de Mato Grosso do Sul.
Um desses contratos foi firmado em julho de 2022 com a Prefeitura de Ivinhema, pelo valor inicial de R$ 586.862,50, mas foi aditivado em agosto daquele ano (menos de um mês depois) e totalizou R$ 874.130,00.
O Gaeco ainda aponta indícios de irregularidades em contratos com as prefeituras de Miranda, Ladário, Angélica, Douradina e Bonito, os quais também foram firmados por ‘inexigibilidade de licitação’. A empresa ainda tinha contratos com outros 11 municípios do Estado, num esquema que teria obtido R$ 27 milhões em recursos públicos. No total, foram 14 mandados de prisão cumpridos, além de 40 ordens de busca e apreensão.
O esquema se valia da participação de Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da regulação da Saúde no Estado — que está preso. Ele usava liberação de exames e internações como ‘moeda de troca’ para forçar gestores públicos a comprarem livros das editoras do grupo.
Conforme as investigações, um dos contratos que chamou atenção foi o firmado com a Prefeitura de Ivinhema, em que o Gaeco diz que a alegação é de inexigibilidade de licitação. “A justificativa de que os materiais fornecidos seriam de edição e publicação exclusivas da EDITORA AVANTE não passou de tentativa de conferir ares de legalidade às fraudulentas contratações milionárias.”
Dados telemáticos extraídos com autorização judicial revelaram como os investigados distribuíam o dinheiro entre eles após o recebimento de pagamento das prefeituras.
Para os investigadores, a dentista Rossana Paroschi Jafar seria a verdadeira dona da Editora Avante, aberta inicialmente em nome de sua nora, Rhayane Souza Fanaia.


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Prefeito negou compra de livros em troca de liberar procedimentos de saúde
O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, que já estava no cargo em 2022, negou à reportagem do Jornal Midiamax que o município tenha comprado os livros da editora em troca de liberação de vagas na saúde. “Essa troca de vagas que está sendo apontada, não fazemos parte disso”, afirmou.
O prefeito também disse que já encaminhou toda a documentação referente ao contrato para o Gaeco e disse estar “à disposição das autoridades”.
Um dos pontos suspeitos levantados é o fato de que a empresa havia sido aberta menos de um ano antes do contrato e o fato de ter um capital social de R$ 40 mil, além de estar sediada em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.
Sobre como a Prefeitura de Ivinhema chegou até essa ‘pequena’ editora sediada no estado vizinho, Ferro não soube responder. “Não lembro, foi 2022, faz quase 5 anos isso. É tanta contratação que a prefeitura faz”, disse, garantindo ter visto o material didático entregue, segundo ele, em perfeitas condições e dentro do prazo.
Por fim, negou ter havido qualquer tipo de propina dos empresários para ganharem o contrato. “Nós aqui não fazemos esse tipo de coisa. Nunca tivemos envolvimento em escândalos de corrupção desse e nem vamos ter. Temos 4 contas aprovadas pelo Tribunal de Contas. Nunca estive envolvido em corrupção ou esquema de propina durante os 6 anos da minha gestão”, concluiu.
O advogado que representa a empresária Rossana não respondeu aos questionamentos. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Rhayane. O espaço segue aberto para posicionamento.
Confira os presos na Operação Gutenberg:
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil;
- Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
- Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana Jafar;
- Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
- Joatan Gomes Peixoto – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos – empresário;
- Douglas Henrique de Melo – empresário;
- Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula – advogado.
Outros dois investigados continuam foragidos. Um deles é Giovanni Paroschi Jafar, no núcleo familiar das gráficas Jafar. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) prendeu na terça (7) Rossana Paroschi Jafar e os filhos Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar.
Giovanni é sócio da gráfica Bold Tech Ltda. (CNPJ 15.508.499/0001-10), de layout e comunicação visual, e da empresa Nerd Lab Tecnologia e Comunicação Digital Ltda. (CNPJ 38.294.077/0001-94).
Operação apreendeu R$ 3 milhões em cheques

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O Gaeco apreendeu R$ 3 milhões em cheques e mais de R$ 200 mil em espécie, durante a Operação Gutenberg.
Conforme balanço apresentado pelo MP ao Jornal Midiamax, foram cumpridos 14 mandados de prisão — outros dois continuam em aberto, que são de dois empresários considerados já como foragidos da Justiça.
Durante as buscas, três flagrantes de posse ilegal de arma de fogo foram feitos. No total, foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão.
A Operação Gutenberg revelou esquema que desviou R$ 27 milhões na compra de livros feita após ‘pressão’ do grupo criminoso, o qual se utilizava do então coordenador da regulação de saúde, Ed Carlo — já exonerado do cargo —, para liberar exames e procedimentos de saúde como ‘moeda de troca’ com gestores públicos.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)




