A defesa da médica Olívia Paroschi Jafar, alvo na Operação Gutenberg, entrou com pedido de revogação da prisão preventiva nesta sexta-feira (10). Ela foi presa pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na terça-feira (7).
Para a defesa da médica, feita pelo advogado Marcos Rocha, o juiz não analisou de forma individual a situação dela ao decidir pela prisão. “[…] baseou-se em fatos antigos, de mais de três anos, e que medidas menos gravosas seriam suficientes no caso dela”, diz o defensor ao Jornal Midiamax.
No habeas corpus, a defesa também aponta “fragilidades na fundamentação apresentada pelo Gaeco e na decisão que decretou a prisão preventiva”. Segundo Rocha, caso a revogação não seja aceita, a defesa também faz pedidos alternativos. Entre eles, a prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica ou aplicação de outras medidas cautelares.
O habeas corpus foi protocolado e será analisado pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).
A operação também prendeu a mãe de Olívia, a dentista e empresária Rossana Paroschi Jafar, e seu irmão mais velho, Felipe Parischi Jafar. O irmão do meio, Giovanni Paroschi Jafar, tem mandado de prisão em aberto e está foragido.
Família Jafar e a Operação Lama Asfáltica
Rossana é ré em uma ação civil de improbidade administrativa no contexto da Operação Lama Asfáltica. Ela é dona da Gráfica Alvorada, em que é sócia com o marido, Mirched Jafar Júnior, falecido em 2021, em decorrência de covid. Ele chegou a ser preso em uma das fases da operação, em 2017.
Rossana foi implicada civilmente na operação, em que ainda responde por ressarcimento ao erário. O casal chegou a ter um apartamento, avaliado em mais de R$ 1 milhão, bloqueado pela Justiça.
Uma das acusações contra a gráfica é o envolvimento em fraudes em contratos na SED (Secretaria de Estado de Educação) para fornecimento de livros didáticos. O MP apontou que a contratação ocorreu sem licitação, sob a justificativa de que a gráfica detinha a exclusividade sobre as obras.
A empresa é apontada como um dos caminhos para lavar dinheiro proveniente dos desvios de recursos públicos.

Filhos
O filho mais velho de Rossana, Felipe Paroschi Jafar — que era comissionado na Agesul —, também foi preso na terça-feira. Já o ‘herdeiro’ do meio, Giovanni Paroschi Jafar, foi alvo de pedido de prisão preventiva, que ainda consta como não cumprido.
A Lama Asfáltica partiu de investigação da Polícia Federal, que desvendou esquema de corrupção, fraudes em licitações e desvios de dinheiro público em obras de pavimentação, limpeza pública e contratos de gráficas.
A Operação Gutenberg revelou esquema que desviou R$ 27 milhões em compras de livros didáticos em prefeituras de Mato Grosso do Sul. Foram 16 alvos de prisão e 43 de busca e apreensão.
Operação Gutenberg
O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.
Conforme balanço apresentado pelo MP ao Jornal Midiamax, foram cumpridos 14 mandados de prisão — e outros dois continuam em aberto, que são de dois empresários já considerados foragidos da Justiça.
Confira os presos:
- Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
- Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana Jafar;
- Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
- Joatan Gomes Peixoto – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos – empresário;
- Douglas Henrique de Melo – empresário;
- Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula – advogado;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
Durante as buscas, três flagrantes de posse ilegal de arma de fogo foram feitos. No total, foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão. Segundo o MPGO (Ministério Público de Goiás), em Abadiânia, foram cumpridos 1 mandado de prisão preventiva e 1 mandado de busca e apreensão.
A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.
O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros, cuja nobre missão contribuiu para a ampliação do conhecimento. No caso investigado, os livros constituem justamente o instrumento utilizado para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.
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(Revisão: Nichole Munaro)









