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Transparência

Empresa do Clã Jafar tinha contrato para plantões pela Santa Casa

Olívia Paroschi recebia R$ 125 por hora em plantões em clínica especializada em harmonização facial
Fábio Oruê, Gabriel Maymone -
Empresa do Clã Jafar tinha contrato para plantões pela Santa Casa
Clínica Ross, em Campo Grande. (Reprodução, Maps)

A Jafar Estética e Saúde, a Clínica Ross, da médica Olívia Paroschi Jafar, tinha contrato com a Santa Casa para dar plantão e receber pacientes do Prontomed. Olívia foi presa na Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) no último dia 7 de julho.

O contrato foi firmado em junho de 2025 e Olívia recebia R$ 125 por hora trabalhada. O serviço previa o atendimento na linha privada da Santa Casa e a remuneração recebida após a realização do plantão.

Entretanto, não há detalhes sobre os valores efetivamente pagos. Conforme a instituição, a Clínica Ross — especializada em harmonização facial — não realizava plantões há três meses.

Olívia, que é a caçula do clã Jafar, era a responsável técnica pelo serviço prestado à Santa Casa. Ela se formou em 2024.

A Santa Casa informou que o Gaeco não entrou em contato com a instituição para possíveis esclarecimentos referentes ao contrato.

Olívia, a mãe Rossana Paroschi Jafar e os irmãos, Felipe e Giovanni, foram presos na operação. Rossana é apontada como líder de esquema criminoso que fraudava contratos com prefeituras em Mato Grosso do Sul.

Balcão de negócios

O esquema se valia da participação de Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da regulação da Saúde no Estado — que está preso. Ele usava a liberação de exames e internações como ‘moeda de troca’ para forçar gestores públicos a comprarem livros das editoras do grupo.

O Gaeco identificou indícios de irregularidades e fraudes no uso do mecanismo de inexigibilidade de licitação: “A justificativa de que os materiais fornecidos seriam de edição e publicação exclusivas da EDITORA AVANTE não passou de tentativa de conferir ares de legalidade às fraudulentas contratações milionárias”.

Para os investigadores, a dentista Rossana Paroschi Jafar seria a verdadeira dona da Editora Avante, aberta inicialmente em nome de sua então nora, Rhayane Souza Fanaia.

Caminho do dinheiro

As investigações do Gaeco mostraram que o dinheiro que caía na conta da editora como pagamento das prefeituras era escoado para os demais integrantes do grupo criminoso.

Rhayane obedecia às ordens do clã Jafar — apontado como o líder do esquema de corrupção, tendo como membros a matriarca Rossana Jafar e os filhos, Olívia e Pedro, que estão presos, além de Giovanni, ex-marido de Rhayane.

Os saques seriam realizados por Rhayane e distribuídos aos demais membros da organização criminosa a mando do clã Jafar, como destaca trecho do relatório de investigação do Gaeco.

Reportagem do Jornal Midiamax revelou detalhes de como Rhayane, uma estudante, dona de brechó, virou ‘laranja’ da sogra para ficar com cerca de 1% do lucro do esquema de corrupção.

Família Jafar (da esquerda para a direita): Giovanni, Olívia, Rossana e Felipe. (Reprodução, Redes Sociais)

Clã Jafar comandava esquema

O relatório de investigação do Gaeco aponta que, após a morte em 2021 do patriarca da família Jafar, Mirched, por covid, a viúva, Rossana Jafar, e os filhos, Olívia, Giovanni e Felipe, abriram outros CNPJs para continuar com operações de corrupção.

A Gráfica Alvorada, que ainda pertence ao clã, é implicada em lavagem de dinheiro no contexto da Operação Lama Asfáltica. Quebra de sigilo fiscal apontou que o clã recebia diversas transferências em sua conta pessoal, vindas da Editora Avante, a qual firmava contratos com os municípios.

Para o Gaeco, a matriarca da família, Rossana, era a verdadeira cabeça por trás do esquema e da Editora Avante — que levava o nome da então esposa de Giovanni, Rhayne Fanaia.

Durante o cumprimento dos mandados, Rossana foi flagrada com munições intactas e também responde pelo crime de posse de arma de fogo. Foram apreendidos mais de R$ 200 mil em espécie e R$ 3 milhões em cheques durante toda a ação.

Operação Gutenberg

O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.

Confira a lista atualizada de presos na operação:

  • Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
  • Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
  • Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul;
  • Giovanni Paroschi Jafar – empresário;
  • Rhayane Souza Fanaia – estudante e empresária;
  • Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
  • Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
  • Joatan Gomes Peixoto – empresário;
  • Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
  • Francisco Anízio dos Santos – empresário;
  • Douglas Henrique de Melo – empresário;
  • Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
  • Gabriel Taquino de Paula – advogado;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
  • Geancarlo Leal de Freitas – advogado e servidor público (prisão revogada).

Segundo o MPGO (Ministério Público de Goiás), em Abadiânia, foram cumpridos 1 mandado de prisão preventiva — de Rhayane — e 1 mandado de busca e apreensão. Apenas o empresário Heyder Bartz continua foragido.

A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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