Desembargadores da 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) negaram habeas corpus da defesa do ex-deputado estadual Neno Razuk, que tentava anular todas as ações judiciais da última fase da Successione — operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
O pedido julgado nesta quinta-feira (16) era um pedido de incompetência de juízo, segundo informou o advogado Ricardo Souza Pereira ao Jornal Midiamax. Neno está foragido há seis dias, desde que equipes do Gaeco tentaram localizá-lo na casa dele, em Campo Grande, mas sem sucesso, na terça-feira da semana passada.
O advogado Roberto Razuk Neto, que também atua na defesa de Neno, confirmou que os agentes estiveram na residência de Neno. Segundo os advogados, a decisão de se entregar compete exclusivamente ao ex-deputado, enquanto a defesa tenta elaborar uma estratégia.
O que é o pedido de incompetência de juízo?
O HC com o pedido de incompetência de juízo de Neno foi protocolado na Justiça antes da expedição do mandado de prisão contra o ex-deputado, ainda no início de junho.
A estratégia da defesa é, basicamente, ‘ganhar fôlego’. Isso porque, se os desembargadores da 1ª Câmara Criminal tivessem acatado o pedido da defesa, uma série de desdobramentos seriam favoráveis para a defesa dos acusados.
Uma delas era a possível anulação de decisões anteriores, como prisões, por exemplo. É um tipo de estratégia comum utilizada por advogados nesse tipo de operação, como na Laços Ocultos, em que o TJ reconheceu a incompetência de juízo solicitada pela defesa de um dos acusados.
Justiça julgou pedido semelhante na Successione
Na semana passada, os mesmos desembargadores que vão analisar o pedido da defesa de Neno julgaram outro caso parecido dentro da Successione.
A decisão do TJMS se deu em habeas corpus impetrado por um dos acusados, Jonathan Gimenez Grance — primo do megatraficante Jarvis Pavão —, preso na última fase da Successione.
A defesa de Jonathan tentou anular o processo alegando violação ao ‘princípio do promotor natural’, já que a acusação estaria sendo feita por promotores do Gaeco e não pelos responsáveis pela 4ª Vara Criminal, onde o processo tramita.
No entanto, o TJMS entendeu que a atuação dos promotores do Gaeco é legítima e que a ausência física de um promotor original não anula o processo, já que o Gaeco é autorizado a representar o Ministério Público.
Além de Jonathan, estão presos o pai e os irmãos de Neno, Roberto Razuk, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, respectivamente. O patriarca cumpre prisão domiciliar e está em estado grave de saúde, numa UTI.
O HC da defesa de Neno chegou a ser listado para a sessão do dia 2 de julho, mas foi retirado de pauta e remarcado para esta quinta-feira (16).

Família Razuk e mais 20 são denunciados e serão julgados por jogo do bicho
O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o ex-deputado estadual Neno Razuk (PL); seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk; e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
A peça acusatória, protocolada no dia 10 de dezembro de 2025 no âmbito da 4ª fase da Operação Successione, aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.
Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro. Em janeiro de 2026, a 4ª Vara Criminal de Campo Grande acatou a denúncia do MPMS.








