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TJMS nega HC de Neno Razuk que tentava anular decisões da Successione

Neno Razuk é apontado como chefe do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul
Fábio Oruê -
Defesa diz que Neno vai decidir se irá se entregar e tenta acesso a pedido de prisão
Ex-deputado Neno Razuk é acusado de liderar o jogo do bicho em MS. (Divulgação, Wagner Guimarães, Alems)

Desembargadores da 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) negaram habeas corpus da defesa do ex-deputado estadual Neno Razuk, que tentava anular todas as ações judiciais da última fase da Successione — operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

O pedido julgado nesta quinta-feira (16) era um pedido de incompetência de juízo, segundo informou o advogado Ricardo Souza Pereira ao Jornal Midiamax. Neno está foragido há seis dias, desde que equipes do Gaeco tentaram localizá-lo na casa dele, em , mas sem sucesso, na terça-feira da semana passada.

O advogado Roberto Razuk Neto, que também atua na defesa de Neno, confirmou que os agentes estiveram na residência de Neno. Segundo os advogados, a decisão de se entregar compete exclusivamente ao ex-deputado, enquanto a defesa tenta elaborar uma estratégia.

O que é o pedido de incompetência de juízo?

O HC com o pedido de incompetência de juízo de Neno foi protocolado na Justiça antes da expedição do mandado de prisão contra o ex-deputado, ainda no início de junho.

A estratégia da defesa é, basicamente, ‘ganhar fôlego’. Isso porque, se os desembargadores da 1ª Câmara Criminal tivessem acatado o pedido da defesa, uma série de desdobramentos seriam favoráveis para a defesa dos acusados.

Uma delas era a possível anulação de decisões anteriores, como prisões, por exemplo. É um tipo de estratégia comum utilizada por advogados nesse tipo de operação, como na Laços Ocultos, em que o TJ reconheceu a incompetência de juízo solicitada pela defesa de um dos acusados.

Justiça julgou pedido semelhante na Successione

Na semana passada, os mesmos desembargadores que vão analisar o pedido da defesa de Neno julgaram outro caso parecido dentro da Successione.

A decisão do TJMS se deu em habeas corpus impetrado por um dos acusados, Jonathan Gimenez Grance — primo do megatraficante Jarvis Pavão —, preso na última fase da Successione. 

A defesa de Jonathan tentou anular o processo alegando violação ao ‘princípio do promotor natural’, já que a acusação estaria sendo feita por promotores do Gaeco e não pelos responsáveis pela 4ª Vara Criminal, onde o processo tramita.

No entanto, o TJMS entendeu que a atuação dos promotores do Gaeco é legítima e que a ausência física de um promotor original não anula o processo, já que o Gaeco é autorizado a representar o Ministério Público.

Além de Jonathan, estão presos o pai e os irmãos de Neno, Roberto Razuk, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, respectivamente. O patriarca cumpre prisão domiciliar e está em estado grave de saúde, numa UTI.

O HC da defesa de Neno chegou a ser listado para a sessão do dia 2 de julho, mas foi retirado de pauta e remarcado para esta quinta-feira (16).

Gaeco aponta família Razuk como a responsável pela exploração do jogo do bicho em MS. (Reprodução)

Família Razuk e mais 20 são denunciados e serão julgados por jogo do bicho

O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o ex-deputado estadual Neno Razuk (PL); seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk; e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.

A peça acusatória, protocolada no dia 10 de dezembro de 2025 no âmbito da 4ª fase da Operação Successione, aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.

Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro. Em janeiro de 2026, a 4ª Vara Criminal de Campo Grande acatou a denúncia do MPMS.

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