O IGA (Instituto Guarda Animal) anunciou, para sábado (1º), a primeira feira de adoção após acordo em ação civil pública, celebrado durante audiência de conciliação, em 15 de julho. O abrigo terá dez meses para doar os animais antes de fechar as portas definitivamente.
O acordo prevê a realização de duas feiras de adoção por mês, sendo uma promovida pela Prefeitura de Campo Grande e outra pelo abrigo. Na audiência de conciliação, o IGA informou que era responsável por 73 animais entre cães e gatos.
Duas semanas após a celebração do acordo, poucos animais teriam sido adotados. Na publicação nas redes sociais, o Instituto Guarda Animal informou que tem 70 animais disponíveis à espera de um lar, todos adultos.
Nesta terça-feira (28), o Midiamax publicou uma reportagem justamente sobre os discursos inflamados nas redes sociais que não se refletem na adoção dos animais abandonados.
O IGA trabalha desde 2016 no resgate de animais abandonados. A instituição informa que foram realizados mais de 700 resgates e promovidas mais de 500 adoções.
A feira de adoção será no sábado (1º), na Feira Ziriguidum, das 16h às 22h, na Praça do Preto Velho. O abrigo informou que receberá ração destinada à própria instituição.
Acordo
O acordo foi firmado no âmbito de uma ação civil pública em que o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) apontou irregularidades estruturais, sanitárias e de gestão. Entre os pontos listados, estava o uso das doações para gastos de natureza pessoal, como bares, cinema, iFood e salão de beleza.
A 42ª Promotoria de Justiça de Campo Grande pedia a dissolução da ONG e a transferência da tutela para a Prefeitura da Capital. Porém, a audiência de conciliação teria resultado em um acordo que prevê mais prazo para o IGA encontrar novos lares para os animais.
Na audiência de conciliação, também ficou acordado que a ONG poderá continuar operando por até dez meses a mais, enquanto há animais sob tutela da entidade. Após esse prazo, os cães ou gatos que não foram adotados ficarão sob responsabilidade da Prefeitura da Capital.
O Executivo municipal teria se comprometido com o auxílio veterinário aos animais, como castração, microchipagem e vacinação.
“A ONG já não recebia animais, não vai continuar recebendo também. Foi pontuado na audiência que muitas pessoas simplesmente abandonam os animais lá na ONG. Caso isso aconteça, a ONG vai recepcionar esses animais, que acabam sendo literalmente abandonados lá na frente, e vai comunicar isso no processo, indicando que tem mais um animal”, explicou o advogado do IGA, Eduardo Correia Pracz, após o acordo.
Sobre as doações, que foram alvo de questionamento do MPMS devido aos gastos para fins pessoais, foi autorizado que o Instituto Guarda Animal continue com os pedidos de contribuições enquanto permanecerem as atividades.
O acordo prevê que sejam entregues planilhas a cada dois meses ao MPMS, detalhando o relatório de despesas. A defesa do IGA afirma que uma prestação de contas mensal seria feita desde 2022, no âmbito de outro processo. “As doações vão continuar, porque são indispensáveis para a manutenção da guarda”, apontou.
Os demais pedidos feitos pela promotoria, como o bloqueio de contas das representantes e a ocupação do local pela Prefeitura, teriam restado prejudicados após o acordo.
Fim das atividades
Em 25 de junho, as responsáveis anunciaram o fim das atividades da ONG (organização não governamental) e a busca por lar para 120 animais na época. Em 2021 e 2024, o Instituto Guarda Animal chegou a comunicar que fecharia as portas devido às dificuldades financeiras.
São listadas despesas que precisariam ser arcadas pela administração do IGA, como água, energia elétrica, clínica veterinária. Animais diagnosticados com leishmaniose precisam encontrar lares responsáveis. Sem adoção, a equipe teme que eles sejam encaminhados para eutanásia.
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(Revisão: Nichole Munaro)








